Fornecedores de sucata tentam evitar criação de taxa para exportação


Por Olívia Alonso | De São Paulo

06/11/2012 às 00h00

 

As empresas brasileiras de sucata de aço se reúnem hoje, em Brasília, com representantes do governo, para manifestar sua oposição a uma eventual taxação de suas exportações. O pedido para que houvesse uma tarifa sobre a exportação sucata brasileira foi feito pelo Instituto Aço Brasil (IABr), que representa as companhias siderúrgicas, segundo o Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Inesfa).
A sugestão do IABr ao governo brasileiro foi a adoção de uma taxação – ou outro tipo de restrição – às exportações brasileiras de sucata quando os países de destino tiverem medidas semelhantes para o Brasil, de acordo com o Inesfa. No entanto, as companhias de sucata afirmam que a medida prejudicaria o setor. A consequência natural seria a redução das exportações, já que ficariam menos rentáveis com uma taxa adicional. Com isso, a tendência é de aumento da oferta no mercado doméstico e de queda dos preços. “Se o valor cair por meio de um artifício tarifário, é natural que vejamos um desestímulo aos catadores, separadores e processadores da sucata de aço no Brasil,” afirma André de Almeida, diretor jurídico do Inesfa. Ele diz que as três categorias foram prejudicadas com a falta de demanda após a crise de 2008, buscaram clientes no exterior. “Eles devem ter o direito de vender para quem oferecer ao melhor preço,” acrescenta.
Apesar de o volume de sucata de aço exportada no Brasil ser pequeno – cerca de 2,5% da produção, principalmente para a Índia e Paquistão -, tem um efeito importante na formação de preços, já que as cotações internas tendem a ser equivalentes às externas, diz o diretor do Inesfa. Na visão das companhias de sucata, a tarifação das exportações não estaria alinhada com a política industrial brasileira, uma vez que o governo brasileiro costuma defender justamente o oposto: incentivar exportações. “Somente se tarifa exportação quando existe um objetivo político”, diz Almeida, acrescentando que uma medida neste sentido deve gerar benefícios para as grandes empresas de siderurgia brasileiras.
Segundo o Inesfa, o IABr, que representa essas companhias, informou no início deste semestre que formalizou um pleito à secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Prazeres, para que o governo brasileiro adote medida de reciprocidade com os países que instituíram restrições as suas exportações de sucata de aço.
Procurado, o IABr afirmou que seu porta voz não tinha disponibilidade para falar sobre o tema até o fechamento desta edição. Segundo a Câmara dos Deputados, onde será a audiência, participarão Cristina Yuan, diretora de Assuntos Institucionais e Sustentabilidade do IABr, e Tólio Edeo Ribeiro, coordenador de Indústrias Intensivas em Recursos Naturais do MDIC.
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