"Carbon Disclosure Project" (CDP) classificou e pontuou as empresas brasileiras

As empresas mais conscientes sobre os riscos ambientais

Por Karla Spotorno | De São Paulo
A partir de hoje, os investidores no mercado de ações contam com mais uma referência que pode contribuir para a escolha das empresas e alocação dos recursos em bolsa. Pela primeira vez, o “Carbon Disclosure Project” (CDP) classificou e pontuou as empresas brasileiras que apresentam a maior capacidade para estudar e administrar os impactos positivo e negativo das mudanças climáticas no universo dos seus negócios. O CDP é uma organização do Reino Unido, criada há 12 anos, com o objetivo de fomentar a discussão com o mundo corporativo e o setor público sobre assuntos como emissão de gases de efeito estufa e a proteção dos recursos naturais. Reúne 655 signatários, entre eles fundos de pensão, companhias, governos e investidores em mais de 60 países com ativos conjuntos superiores a US$ 78 trilhões.
Nessa primeira publicação, o CDP organizou duas listas. Na primeira, figuram as empresas com as notas mais altas no quesito “disclosure” (transparência). São elas: BM&FBovespa, Braskem, CPFL Energia, EDP – Energias do Brasil, Itaúsa, JBS, Marfrig, Petrobras, Santander Brasil e Vale. Essas companhias ganharam a maior pontuação entre as 52 que responderam ao questionário por demonstrarem uma compreensão mais lúcida sobre as consequências do aquecimento global sobre o seus empreendimentos e por relatarem isso com transparência.

Na segunda lista, ganharam destaque as empresas com as maiores notas no quesito “performance” (desempenho). São companhias que estão, segundo a metodologia do CDP, tomando medidas importantes como, por exemplo, colocar em prática processos de redução das emissões de gases de efeito estufa. Com exceção de Vale e Braskem, as companhias da primeira lista também figuram no segundo grupo, que traz ainda Cesp e Cemig.
Para se qualificar a receber a pontuação de “performance”, as companhias precisaram conseguir um mínimo de 50 pontos no quesito “disclosure” (transparência). Nesse critério, a metodologia do CDP mede a capacidade de diagnosticar, medir e relatar os riscos e oportunidades gerados pelas mudanças climáticas. Isso não quer dizer que as empresas com a pontuação de “disclosure” inferior a 50 possuem, necessariamente, uma “performance” ruim, segundo a direção do CDP. Elas têm apenas informação insuficiente para uma correta avaliação nesse outro quesito.
Um resultado interessante do conjunto de respostas que essas empresas deram no levantamento do CPD é a percepção do que são riscos e do que são oportunidades quando o tema é sustentabilidade. Como pode ser constatado no quadro nesta página, reputação empresarial e adequação a novas regulamentações são igualmente vistas como vantagem e como desvantagem.
Para Juliana Lopes, diretora do CDP para América Latina, o resultado demonstra, claramente, que a resposta ao desafio das mudanças climáticas depende de como a empresa está posicionada. “O que uma companhia pode considerar como um problema para a sua competitividade e sobrevivência, a concorrente pode entender como uma oportunidade para crescer”, afirma Juliana.
Do ponto de vista do investidor, iniciativas como essa são importantes para complementar o processo de ‘valuation’ (avaliação do valor das ações) feito por gestores e investidores, na opinião de Ricardo Torres, consultor e professor de finanças da BBS Business School. Para ele, as listas ajudam a indicar os negócios que já estão posicionados para enfrentar questões como escassez de recursos naturais, perdas com mudanças no regime de chuvas, alterações em regulamentações por motivos ambientais e até mesmo novas diretrizes por autorregulação. “Mais e mais, o mundo [corporativo] está migrando para o conceito de sustentabilidade. As empresas que permanecerem alheias serão prejudicadas num futuro não tão distante assim”, afirma.
Até meados da década passada, Torres lembra que não existiam indicadores sobre as companhias brasileiras mais bem preparadas para participar desse tipo de debate. “Antigamente, era preciso olhar empresa por empresa. Não havia um indicador como referência. Isso dificultava muito o trabalho do investidor interessado em companhias preocupadas com questões ambientais”, afirma o consultor, com a experiência de ter montado mais de dez “fundos verdes” para investidores internacionais. Ele lembra que o primeiro balizador foi o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa, lançado no fim de 2005.
Apesar de já ter avançado, a escolha de ativos sob o crivo da sustentabilidade continua sendo um processo com alguns obstáculos. A mentalidade do investidor continua voltada para um único objetivo: buscar a maior rentabilidade no menor prazo possível. Mudar essa dinâmica, contudo, tende a ser mais fácil no Brasil, na avaliação de Nigel Topping, diretor global de inovação do CDP. “Os fundos de pensão no Brasil, além de estarem mais preocupados com questões que afetam os negócios no longo prazo, têm um poder de influência importante, maior do que vemos em outros países”, afirma Topping.
A publicação das listas de “performance” e de “disclosure” será feita na tarde desta segunda-feira em um evento na sede da BM&FBovespa, em São Paulo. Representantes do CDP, da bolsa, de instituições financeiras e ambientais vão participar da “Rodada de Diálogos e Lançamento do Relatório CDP Investor Brasil 2012”. Neste ano, as notas das empresas não serão divulgadas. Mas a metodologia e as respostas das companhias poderão ser conhecidas por investidores interessados.

© 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.

Leia mais em:

http://www.valor.com.br/financas/2883334/empresas-mais-conscientes-sobre-os-riscos-ambientais#ixzz2AhspA9zJ

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s