É preciso avançar na Política Nacional de Resíduos Sólidos

Não mais do que 1% dos resíduos sólidos produzidos nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro é reciclado. A meta expressa pelo Ministério do Meio Ambiente é chegar a 20%. Demoraremos

Depois de promulgada a Lei 12.305, em agosto de 2010, que obriga a prática da logística reversa e o fim dos lixões até 2014, continua-se longe dos ideais de coleta seletiva e aproveitamento de materiais recicláveis.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos poderá ser mais um programa que traria múltiplos benefícios à sociedade, desde que existissem aparelhos efetivos de controle e maior conscientização por parte das empresas e população.

Dificuldades enormes impedem uma melhor gestão dos resíduos sólidos, como é apelidado o lixo nosso de cada dia.

Em indústrias grandes, como Coca-Cola, Tetra Pak, Ambev, a coisa anda melhor. Há interesses econômicos e institucionais envolvidos. Geração de energia, produção de adubos, recuperação de matérias-primas e os balanços sociais.

Nas residências vai-se mais devagar. A começar pela coleta seletiva insuficiente, o que é justificado por um custo 4,5 vezes maior do que a convencional.

É verdade que aqui e ali vão sendo criadas medidas para reduzir esses custos e mais municípios começaram a adotar o sistema. Uma é a criação de cooperativas de catadores, que estão próximo de 600 unidades.

Já visitei algumas usinas de compostagem que recebem resíduos sólidos e os transformam em adubos orgânicos.

Dependendo do tipo de resíduo e da necessidade de descarte pelas indústrias e suas políticas ambientais, o processador pode até mesmo cobrar pela recepção ou aceitá-lo sem pagar nada, nem mesmo o frete.

Seus comprometimentos são analisar os componentes dos resíduos, verificar a ausência de substâncias proibidas – metais pesados, por exemplo -, obter a aprovação de uso de órgãos ambientais oficiais e realizar a transformação.

O produto final será usado na adubação do solo, melhorando suas propriedades e ampliando a absorção dos nutrientes pré-existentes ou aplicados.

No caso, pode-se falar em união da fome com a vontade de comer, ainda que estejamos manipulando restos, sobras, enfim, lixo.

Grandes centros urbanos, pelas suas exigências ambientais, propiciam as maiores escalas desses processos. Quanto menor for o nível de exigência dos órgãos municipais de controle, também menores serão as possibilidades de logística reversa, reciclagem, e de aproveitamento dos resíduos sólidos.

Quando não espalhados pelas ruas e terrenos baldios da cidade, os resíduos vão para os aterros sanitários, muitos ainda colados às zonas urbanas, os tais lixões, onde Estamiras e Ninas nascem para suas histórias, reais ou fictícias.

VÍDEO:

http://terramagazine.terra.com.br/blogdoruidaher/blog/2012/09/18/e-preciso-avancar-na-politica-nacional-de-residuos-solidos/

Rui Daher – Administrador de empresas, consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola, produtor rural. Trabalhou por mais de 30 anos em empresas do agronegócio. rui_daher@terra.com.br

Fonte: TERRA

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