Encontro em Durban atingiu expectativas.

PorDanielle Denny  



Os noticiários das duas primeiras semanas de dezembro de 2011 ressaltaram os pontos negativos da 17a Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-17), ONGs como o Greenpeace dramatizaram os resultados pífios, contudo as expectativas brasileiras foram atendidas. 

O chanceler Antonio Patriota, em vídeo, detalha quais foram os objetivos brasileiros na conferência. Todos os pontos levantados por ele, sem exceção, foram objeto de análise e constaram no relatório final.

OProtocolo de Quioto foi renovado pelo menos até 2017, com a saída da Rússia, doJapão e do Canadá, evitando assim  alacuna que ficaria com o fim do prazo de validade do acordo original que se dáem 2012.
Aprorrogação de Quioto poderá ser de 2012 a 2017 (como defendem os europeus e aspequenas ilhas) ou até 2020, como preferem os demais países, inclusive oBrasil. Com a saída da Rússia, do Japão e do Canadá as metas vinculantes ficamrestritas à União Europeia, que responde por apenas 11% das emissões globais.E, ainda assim, a efetiva meta de redução ainda não foi definida pelos europeuse está prevista para maio de 2012 e não deve inovar, ficando em torno de 20% ocorte de suas emissões em relação aos níveis de 1990.
OFundo Verde, já aprovado em Cancún, 2010 e em Copenhague, 2009, que prevedestinar até US$ 100 bilhões ao ano até 2020 para combater as mudançasclimáticas em países pobres, foi complementado em termos de metodologia e devepassar a receber recursos para sua constituicao. Além disso, Alemanha eDinamarca prometeram 55 milhões e 20 milhões de dólares, respectivamente, mas acrise na Europa pode dificultar o envio de verbas.
OFundo passou a ser dotado de um conselho com 24 membros de países ricos epobres. As duas primeiras reuniões serão na Suíça e na Coréia do Sul. A gestãohíbrida será coordenada entre o Banco Mundial (como defendiam os EUA) e aConvenção do Clima da ONU (como propunham os países em desenvolvimento).
Comrelação ao programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradaçãoflorestal (REDD) e de conservação, manejo sustentável de florestas e aumento deestoques de carbono das florestas (REDD+), o assunto foi debatido em doisfóruns: o Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico e Tecnológico (SBSTA)e o Grupo de Trabalho sobre a Ação Cooperativa de Longo Prazo (LCA). Noprimeiro, foram discutidos os níveis de referência, salvaguardas, monitoramentoe medição, reporte e verificação (MRV). No segundo, as estratégias de financiamentode REDD.
Agrande conquista, em Durban, portanto, foi o reconhecimento de todos os paísesda necessidade de metas obrigatórias. Ao mesmo tempo a grande perda foi queesses mesmos países  decidiram esperaraté 2017 para se comprometer à uma nova vinculção mandatória em escala global.Em outras palavras, reconheceram a necessidade de metas obrigatorias, mas naosua urgência e dessa forma não assumiram responsabilidades.
Assim,a baixa expectativa foi na verdade um trunfo para a imagem de bom negociadorinternacional do Itamaraty. Compatibilizar interesses econômicos, lobbies e oefetivo comprometimento socioambiental é um desafio considerável que mais umavez culminou no famigerado business asusual. Essa visão de curto prazo, contudo, pode se mostrar custosa, pois,como alerta o economista Nicholas Stern, quanto mais se adia a redução deemissões globais, mais caro será o processo de adaptação às mudançasclimáticas.

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