Bolsa Família reforça o espetáculo.

Por Danielle Denny

Relatório sobre as principais idéias debatidas durante o I Seminário Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo, organizado pelo Grupo de Pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo, sob coordenação do Prof. Dr. Cláudio Novaes Pinto Coelho, entre os dias 22 e 23 de outubro de 2010, na Faculdade Cásper Líbero.

A proposta do Seminário foi debater as relações entre as práticas comunicacionais e a vida política dentro do contexto da sociedade do espetáculo, tendo como foco a campanha eleitoral de 2010 e sua cobertura pelas diferentes mídias (impressa e eletrônica). Foram apresentados trabalhos, ainda em fase de desenvolvimento, de membros do grupo de pesquisa, alunos do mestrado e docentes da Cásper Líbero.

Vanderlei de Castro Ezequiel analisou a construção da imagem de “Mãe dos pobres” e o apelo recorrente em campanhas políticas brasileiras a discursos políticos voltados aos pobres.

A justificativa quantitativa para isso é que, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 88% da população brasileira vive com renda familiar abaixo de 5 salários mínimos. Então, a grande maioria da população se sensibiliza pelo apelo aos pobres em época de eleição. E como esse público é sensível ao assistencialismo há a espetacularização da ajuda.

Fome, miséria,falta de habitação e de sistema de saúde eficaz fazem parte da contradição do sistema capitalista, que pressupões a apropriação da mais valia pelo empresário em detrimento do trabalhador. O Estado, contudo, é capaz de minimizar os efeitos dessa exploração capitalista e assim impedir revoluções e conter as grandes massas.

O pauperismo deixou de ser questão de polícia (miseráveis eram presos por vagabundagem) e passou a ser questão política, principalmente em virtude da organização dos trabalhadores. No Brasil, como as conquistas sociais foram concedidas de cima para baixo, principalmente durante o governo de Getúlio Vargas, o vínculo entre elas e a atividade organizada dos trabalhadores se esvaneceu.

Contudo, a cidadania concedida como dádiva se opõe a cidadania conquistada com organização e luta social. Desprovido de uma história de conquistas, o miserável se torna passivo, a espera das promessas de ajuda dos candidatos, e assim convalida o processo cada vez maior de desigualdade social.

O ser humano sem história é mais suscetível à espetacularização das questões sociais nas campanhas eleitorais. Tanto os candidatos, como as promessas são imagens construidas, deiidades projetadas, produtos produzidos com marca e slogan.

Onde fica a contestação? Não existe, é discurso uníssono. Espetacularizado. A origem, as causas reais dos problemas não são discutidos.

E essa ideologia do bem que produz imagens como a de “mãe dos pobres”, assumida pela candidata Dilma Rousseff (PT), na campanha de 2010, reforça ainda mais essa dependência.

Esse discurso tipo de discurso é muito eficaz na sociedade do espetáculo em que existe necessidade de sensibilizar as grandes massas para dominação ideológica, formação de consenso, apaziguamento da questão social. Mas atrapalha quem efetivamente quer praticar o bem. Como a dominação ideológica perpassa toda a sociedade torna-se fácil e necessária a utilização de um mesmo discurso pelos candidatos.

Nenhuma das partes em disputa aborda as origens dos problemas, a desigualdade é tomada como natural. E pior, como ressalta Pedro Demo, no livro a Pobreza Política, o esvaziamento da questão política gera maiores obstáculos à ascensão social uma vez que o miserável além de não ter é coibido a ter. A ajuda assistencialista ou o conselho (se qualifique, estude) acaba dificultando a ascensão social.

Ezequiel conclui que “promessa de ajuda é canto de sereia, a espetacularizacao é brutal e escandalosa, mas é o que temos no Brasil.” É com essa realidade que devemos pensar o futuro.

Referências bibliográficas:

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

DEMO, Pedro. Pobreza política. São Paulo: Som Livre, Autores Associados 1988.

Danielle Denny é mestranda da Cásper Líbero. O presente texto corresponde a uma das discussões do I Seminário Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo, organizado pelo Grupo de Pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo, sob coordenação do Prof. Dr. Cláudio Novaes Pinto Coelho, entre os dias 22 e 23 de outubro de 2010, na Faculdade Cásper Líbero

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