Linguagem publicitária marca cobertura das eleições

Por Danielle Denny

Relatório sobre as principais idéias debatidas durante o I Seminário Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo, organizado pelo Grupo de Pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo, sob coordenação do Prof. Dr. Cláudio Novaes Pinto Coelho, entre os dias 22 e 23 de outubro de 2010, na Faculdade Cásper Líbero.

A proposta do Seminário foi debater as relações entre as práticas comunicacionais e a vida política dentro do contexto da sociedade do espetáculo, tendo como foco a campanha eleitoral de 2010 e sua cobertura pelas diferentes mídias (impressa e eletrônica). Foram apresentados trabalhos, ainda em fase de desenvolvimento, de membros do grupo de pesquisa, alunos do mestrado e docentes da Cásper Líbero.

Emerson Ike Coan, ao comparar o uso da linguagem jornalística e publicitária na apresentação dos principais candidatos à Presidência da República na “Folha de S. Paulo”, concluiu que houve uma redução do espaco jornalístico para inserção de peças publicitárias. A foto-pose, tipicamente usada no discurso publicitário para vender um produto, é usado em matérias jornalisticas sobre os candidatos, bem como as ilustrações e as ironias também típicas do discurso publicitário. O conteúdo político e jornalistico é tratado em linguagem rápida e superficial, como na publicidade. Os candidatos são apresentados como produtos e há apelos a emoção e não à razão.

Assim, da análise textual (das técnicas de persuasão utilizadas) e retórica (dos componente sedutivos) concluiu que a linguagem publiciária está muito mais presente que a linguagem jornalística.

Vivenciamos uma democracia cosmética, conforme define Muniz Sodré. Em uma sociedade do espetáculo como a nossa há o domínio do entretenimento. O discurso é publijornalístico. A primazia é do aparecer e do aprazer sobre o saber e o prover. O interesse do público e as reportagens elaboradas são, por exemplo, sobre o que comeram os candidatos em comícios, a discussão política é deixada para segundo plano, o jornal ganha características de revistas. O valor máximo é a atração sensorial, com o mínimo de conteúdo informacional.

Guy Debord em A sociedade do espetáculo, não deixa dúvida que a política vem sendo espetacularizada. No caso brasileiro a discussão é sobre ser espetacularizada tendenciosamente ou não. Para Coan grande mídia apóia implicitamente Serra.

Referências bibliográficas

SODRÉ, Muniz. O ethos midiatizado, in Antropológica do espelho: uma teoria da
comunicação linear e em rede. Petrópolis: Vozes, 2002.

SODRÉ, Muniz. A democracia cosmética, in As estratégias sensíveis: afeto, mídia e
política. Petrópolis: Vozes, 2006.

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

Danielle Denny é mestranda da Cásper Líbero. O presente texto corresponde a uma das discussões travadas durante o I Seminário Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo, organizado pelo Grupo de Pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo, sob coordenação do Prof. Dr. Cláudio Novaes Pinto Coelho, entre os dias 22 e 23 de outubro de 2010, na Faculdade Cásper Líbero

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