A REDE MODIFICA OS FILMES

Análise do filme Melhores Coisas do Mundo nas redes sociais conectadas

Por Danielle Denny

Para análise da revista ComTempo

Resumo:
O presente artigo analisa a experiência de uso das redes sociais conectadas pelo filme Melhores Coisas do Mundo, identificando avanços e limitações. Exemplifica como a Internet pode ser utilizada na sociedade contemporânea como ambiente de mídia ao mesmo tempo inovador e similar em relação aos media tradicionais. O artigo parte de uma análise de caso e tem como referencial teórico autores como Lima, Pearson, Tomaselo, Franco dentre outros.

Palavras-chave: Redes. Comunidades Sociais Conectadas. Pensamento Computacional. Interatividade. Cooperação Humana

Internet modifies movies

An analyze about the movie Melhores Coisas do Mundo at social networks

Abstract
This article analyzes the use of social networks by the movie Melhores Coisas do Mundo, identifying improvements and limitations. It exemplifies how Internet can be used in nowadays society as a media environment at the same time innovative and similar in relation to traditional media. The article starts as a case study and has the following theoretical references: Lima, Pearson, Tomaselo, Franco among others.

Keywords: Internet. Linked Comunities. Computer Thinking. Interactivity. Cooperation.

For the time being we concentrate our force on temporary “power surges,”
avoiding all entanglements with “permanent solutions.”
Hakim Bey

A revolução digital, com a convergência de mídias e a divergência de meios, possibilitou multiplataformas de interação de emissor e receptor de conteúdo informativo via mídias sociais conectadas (Lima, 2009). O filme As melhores coisas do mundo de Laís Bodanzky, adequado a esse contexto, foi lançado já com diversas comunidades oficiais em várias dessas multiplataformas de interação como Facebook, Orkut, Flickr, Twitter. Além disso, os blogs mantidos pelos personagens no filme existem na rede.

O exemplo do filme precisa ser estudado pois mídias sociais conectadas disponibilizam novas diretrizes para a contrução de conteúdos informativos e essa oportunidade precisa ser utilizada pelos comunicadores a fim de melhor dialogar com a sociedade contemporânea.

Para entender melhor esse contexto, uma boa definição de redes sociais conectadas é a de Danah M. Boyd e Nicole B. Ellison, que as identificam como sistemas eletrônicos onde indivíduos podem construir perfis, articular contatos com outros usuários e vizualizar conecções feitas por si e pelos outros dentro desse sistema.
We define social network sites as web-based services that allow individuals to (1)construct a public or semi-public profile within a bounded system, (2) articulate a list of other users with whom they share a connection, and (3) view and traverse their list of connections and those made by others within the system. The nature and nomenclature of these connections may vary from site to site.

A participação do interlocutor nas mídias sociais conectadas é fundamental, e precisa ser mantida em equilíbrio entre a liberdade total e o cerceamento indevido. A qualidade da obra cinematográfica, ou de outro conteúdo informativo que se esteja tratando, precisa ser mantida. Mas ao mesmo tempo o usuário pode e deve se manifestar, inclusive produzindo novos conteúdos.

Como a forma de consumo de informação tem mudado, os produtores de conteúdo informativo têm de se adaptar. Desconsiderar que a barreira da escassez de informação e de conectividade foi mitigada pela tecnologia, apenas serve para que as manifestações dialógicas se dêem em outras plataformas, sem a participação importante do emissor original.

E não existe um modelo pronto de como produzir conteúdo informativo para as mídias sociais conectadas. Não há o que ser copiado. Por tentativa e erro e com investimento em pesquisa as novas práticas precisam ainda ser inventadas.

As novas ferramentas tecnológicas e as simulações digitais dos media já existentes no mundo real viabilizam uma nova forma de interface que ativa múltiplas habilidades e modos de aprender de forma cinestésica, icônica e simbólica (Manovich, 2008).

As pesquisas precisam considerar essa nova realidade e dominar os conceitos de pensamento computacional (Pearson, 2009), para criar conteúdos em diferentes níveis de abstação que permitam maior eficiência, aplicando lógica matemática e compreendendo as consequências de escala. O pensamento computacional deve ser a base de uma nova forma de distribuição cinematográfica, que imite os valores e processos de produção de conhecimento específicos da era da informação, ou seja, que se adapte à cultura do remix. De acordo com Tapscott & Williams:
(…) nova web está se tornando: um parque maciço de bits de informação que são compartilhados e reprocessados abertamente formando uma tapeçaria fluida e participativa. Tendo amadurecido ao longo dos anos como um meio estático de apresentação, a web é agora a base para novas formas dinâmicas de comunidade e expressão criativa. Some a isso uma saudável dose de empreendedorismo popular e você tem uma receita poderosa para (…) uma revolução que afeta não apenas alvos óbvios como a mídia, o entretenimento e os softwares, mas que está progressivamente varrendo todas as indústrias e setores à medida que a colaboração em massa penetra em atividades que vão desde a ciência até a produção industrial.

Para Jeannette M. Wing, (Wing, 2006), pensamento computacional é pensar recursivamente, usando abstração e decomposição, para prevenir, proteger e recuperar de casos previstos como o pior cenário. É pensar de forma heurística para descobrir soluções, em meio a incertezas, planejando, aprendendo e esquematizando. Quem produz conteúdos informativos tem de saber como funcionam as tecnologias, para conhecer as potencialidades e os limites. Para tirar proveito das vantagens.

Mas é uma falácia pensar ser possível controlar algo em um sistema complexo como a Internet. Na complexidade (Winkin, 1998) não se sabe exatamente o que vai acontecer. É possível influenciar mas não exercer poder. Subjacente à rede, há uma lógica humana, não é o caos, mas não dá para planilhar todas as possibilidades, há uma abundância, uma multiplicidade de caminhos que uma informação pode percorrer de um ponto a outro na rede.

Dessa forma, o exercício de poder é impossível em um ambiente tão descentralizado como a Internet. O poder na rede é a medida inversa do grau de centralização dessa rede, (Franco, 2009) é a capacidade de i. filtrar ou obstruir fluxos de informação; ii. separar duas conexões; e iii. excluir ou desconectar participantes.

Bem ilustrativa dessa natureza da rede é a imagem criada por Augusto de Franco:
… seres humanos são seres humano-sociais, não são somente íons vagando em um meio gelatinoso e exibindo suas qualidades intrínsecas e sim também entroncamentos de fluxos, identidades que se formam a partir da interação com outros indivíduos. A pessoa como continuum de experiências intransferíveis e, ao mesmo tempo, como série intermitente de relacionamentos, se comporta como ator (ou agente) por estar imersa (conectada e agrupada) em um ambiente interativo. Portanto, são a interação e a clusterização que “produzem” o agente (ou ator). Ninguém pode ser agente de si mesmo: atores sociais se constituem como tais na medida em que interagem em clusters nas redes socias. (…) Então alguém que tem mais influência porque entronca mais conexões (desempenhando o papel de hub e estabelecendo atalhos entre clusters), ou porque estabelece novos fluxos para o futuro, i. e., para inventar mais possibilidades de futuro (desempenhando o papel de inovador), ou porque aumenta seus graus de empatia por compartilhamento com os demais (desempenhando o papel de netweaver), não é alguém que se apoderou (obstruindo caminhos, derrubando pontes e eliminando conexões entre nodos)

O desafio do estudo das novas mídias atualmente é desenvolver uma linguagem própria, não uma teoria geral (Lovink, 2006). O estudo do filme em questão contribui para essa temática na medida que analisa como foi feita a comunicação por meio das redes sociais conectadas. É um estudo de caso que ressalta os sucessos e os fracassos dessa iniciativa, possibilitando que casos futuros possam ter sua estratégia pautada pelo que foi observado na comunicação do filme As melhores coisas do mundo por meio das redes sociais conectadas

Esse filme representa um avanço em relação ao desenvolvimento de uma nova linguagem, de acordo com a nova realidade de abundância de informação, mas excassez de tempo e hiperconectividade. Desde a estréia nas telas de cinema, a equipe de produção do filme já tinha criado perfis, contas e comunidades nas principais redes sociais conectadas. Porém, o uso desses media poderia ser muito mais contundente.

O mais marcante da observação, em 30 de outubro de 2010, das redes sociais conectadas criadas pela equipe de As melhores coisas do mundo foi a inatividade. O Orkut ainda noticiava a estréia do filme em 16 de abril de 2010. No Flicker as fotos mais recentes eram de 6 maio de 2010. O Youtube tinha apenas 9 vídeos, sendo o mais recente de 22 de abril de 2010. A única excessão a essa tendência parece ser o Facebook que ostentava atividade até a véspera. Em anexo, estão os print screen dessas páginas.

Uma possível explicação é que a cooperação conseguida entre os criadores dos perfis, contas ou comunidades, os fãns do filme e os internautas de modo geral sempre envolve um custo para quem coopera. Esse custo não precisa ser financeiro, pode ser em perda de tempo por exemplo. Assim, a tendência é deixarem de cooperar por causa da melhor relação custo e beneficio.

As redes sociais conectadas, porque feitas por intermédio de um software que permite que elas fiquem online mesmo que inativas, não são excluídas do ambiente online, a menos que o seu criador assim o decida.

Contudo, as redes sociais (conectadas ou não) e a interação entre as pessoas nesses ambientes não duram para sempre nem vão necessariamente se expandir como bem qualifica Augusto de Franco:
Redes voluntariamente articuladas não são para durar para sempre. Nada dura toda vida (se durar como é, certamente não será sustentável!) (…) Crescer sempre para que? Para fazer alguma coisa? Mas as redes não são para fazer coisa alguma: elas são simplesmente para… ser. Elas são o que qualquer sociedade seria se não tivesse sido invadida por programas centralizadores.

Enquanto houver pessoas dispostas a se conectar em rede e trocar conteúdo nos espaços criados pela equipe do filme As melhores coisas do mundo, esses espaços vão ser ativos. A partir do momento em que não houver mais esse interesse, a inatividade será a regra. Por mais que o site, o perfil, a conta, a comunidade ou o fórum continuem existindo, se não houver atividade eles estarão extintos.

Isso não é diferente nas redes não digitais. Quando cessa o interesse ou o própósito para que foi criada, a rede se extingue. É assim com qualquer rede. Inclusive essa é a lógica de todos os processos sustentáveis, sejam eles biológicos, físicos ou interpessoais, pois são elaborados em um modelo de rede difusa, sem controles ou hierarquias.

É possível, contudo, animar a atividade das redes prevenindo ou adiando sua extinção. Augusto de Franco esboça um roteiro a ser seguido pelos animadores de rede:
No trabalho de animação de rede, deve-se ter em conta algumas orientações importantes:
a) Ter sempre campanhas e metas. As campanhas podem ser propostas em torno de alguma ação coletiva que deverá ser realizada. Então, tendo o objetivo claro (a “finalidade inicial”), será possível conectar mais pessoas na rede para atingir tal objetivo.
b) Ter sempre devolução ou retorno. Qualquer ação coletiva proposta à rede pelo núcleo inicial e realizada pela rede deve ser registrada e a informação deve ser devolvida à rede. Esse deve ser um processo permanente, recorrente, sistemático.
c) Disponibilizar amplamente as informações. Os conectados devem receber regularmente, até que a dinâmica própria da rede se estabeleça, uma mensagem do grupo inicial. O importante é a regularidade, que não deve ser quebrada.

Todo esse esforço pode ser inóquo se a rede não passar a existir de fato, ganhando independência do grupo que a criou. Ou seja, se os membros conectados porque sentiram afinidade com os propósitos sugeridos pela equipe do filme As melhores coisas do mundo, não derem continuidade à rede, não redefinirem coletivamente a identidade da sua articulação (para que possam formular, então, as suas “finalidade finais”) (Franco, 2008) .

Se os fãns de As melhores coisas do mundo conectados à rede, em comunidade criadas pela equipe técnica do filme, expandirem a experiência de simplesmente aceitar o propósito e passarem a buscar sentido próprio, para o que estão propondo ou fazendo em um mesmo repositório coletivo de definições, premissas e argumentos, então estará estabelecida uma nova forma de ser-coletivamente (Franco, 2008).

Só então as redes voluntariamente articuladas pela equipe do filme As melhores coisas do mundo, estará “acontecendo”. Se isso ocorrer e restar comprovado que assumiu existência própria, haverá um caso de sucesso de netweaving a ser estudado. O filme As melhores coisas do mundo terá gerado um novo ente (ou, melhor, desencadeado mais um processo) sustentável no mundo (Franco, 2008).

Superado o desafio da construção da rede, passa a ser importante a busca pela atenção. Em grupos pequenos a relevância é mais fácil de ser alcançada, pois a afinidade é maior. O desafio é conseguir produzir conteúdo relevante para diversos grupos, para públicos diferentes. A tendência, quando o público é muito amplo e heterogêneo, é haver agressividade e ausência de diálogo, o que inviabiliza a evolução dos debates.

O modelo broadcasting, adotado pelas novelas, por exemplo, consegue atingir muitos públicos, consegue lidar com as relevâncias nacionais. Em redes sociais conectadas isso é mais difícil, se as comunidades forem muito pequenas serão consistentes mas incompletas, não conseguirão dialogar com outros grupos. Por outro lado, se forem muito abrangentes serão menos consistentes, mas mais completas, mas pode haver agressividade e intolerância o que dificultará o diálogo. O desafio é encontrar o equilíbrio no qual é possível o diálogo entre diversos grupos, sem desconsiderar que em rede o mesmo indivíduo pode pertencer a pequenos e a grandes grupos ao mesmo tempo.

Assim, as redes tecidas pela equipe do filme As melhores coisas do mundo, para serem bem sucedidas terão de vencer o desafio da relevância. Vão ter de disponibilizar conteúdo interessante para um grupo amplo e heterogêneo de pessoas.

Além disso, se em algum momento houver conflito entre os integrantes, os moderadores poderão intervir. Mas com cuidado, pois qualquer intervenção é muito arriscada. Pode ser entendida pelos participantes como controle, gerando perda de confiança e consequente saida da comunidade. Pode também privilegiar os valores da maioria, suprimindo a minoria, se tornando hostil à troca de informações entre pessoas que pensam de forma diferente.

Por enquanto, o desafio maior para a equipe de As melhores coisas do mundo é ainda animar as redes sociais conectadas que criaram, estimulando a atividade, prevenindo assim sua extinção. Devem ser promovidas campanhas de divulgação em torno de ações coletiva, as quais devem ser registradas e informadas na rede, em processo permanente, recorrente, sistemático. Além disso, os conectados devem ser chamados a participar regularmente, até que a dinâmica própria da rede se estabeleça.

Os produtores de mídia, a equipe de As melhores coisas do mundo inclusive. ainda se comportam como se estivessem na era da escassez da informação. Mas o que vivemos é o contrário, todas as pessoas envolvidas podem ser detentores das informações e produtores de conteúdo, por isso uma nova relação tem de ser construída, baseada não na qualidade intrínseca de site oficial, mas sim na relação de confiança e de utilidade que o site possa oferecer, aceitando críticas e colaborações, de modo a retrabalhar a hierarquia, adequando-a à nova realidade. Conforme sumarizam Tapscott & Williams:
Ao longo da história, as empresas se organizaram de acordo com linhas de autoridade estritamente hierárquicas… Sempre havia alguém, ou alguma empresa responsável, que controlava…. Embora as hierarquias não estejam desaparecendo, mudanças profundas na natureza da tecnologia, da demografia e da economia global estão fazendo emergir novos e poderosos modelos de produção baseados em comunidade, colaboração e auto-organização, e não em hierarquia e controle… Bilhões de indivíduos conectados podem agora participar ativamente da inovação, da criação de riqueza e do desenvolvimento social de uma maneira que antes era apenas um sonho. E, ao colaborarem, essas massas de pessoas reunidas fazem com que as artes, a cultura, a ciência, a educação, o governo e a economia avancem de forma surpreendentemente, mas, em última instância, lucrativa.

As facilidades tecnológicas webbrowseadas, facilitaram a interatividade, pincipalmente com estruturas sistêmicas organizadas por bancos de dados aos quais o usuário pode inserir comentários (como faria em uma comunidade do Orkut), mas além disso, pode criar inputs para o banco de dados, compartilhar, avaliar, classificar, recomendar, disseminar.

Nessa situação repleta de produtores de conteúdo, a atenção das pessoas é o objeto de disputa. O risco para as obras cinematográficas e para qualquer produto a ser consumido durante o tempo livre das pessoas não é mais a pirataria, mas sim a obscuridade. Tudo está potencialmente a apenas alguns cliques de distância, em qualquer lugar do mundo. Então, esses produtos consumíveis durante o lazer passaram a disputar o tempo escasso não só com outros produtos de entretenimento, mas também com todas as outras coisas que as pessoas precisam fazer em diferentes sites dispersos na rede.

Uma estratégia de distribuição eletrônica do filme, aumentaria sua audiência em outros países, por exemplo. O que atualmente é um problema para a produção nacional que não consegue chegar satisfatoriamente nem aos países do Mercosul. A cobrança por esse serviço é um problema de segunda categoria, o importante é vincular as pessoas para que se tornem divulgadores da obra. Nessas circunstâncias, Tapscott & Williams esclarecem o seguinte:
Os autores estabelecem uma relação de diálogo com o seu público, na qual os fâs os tratam com intimidade. Quando os leitores estabelecem essa conexão cognitiva e emocional, não se trata mais de uma atividade de lazer. Trata-se de uma atividade de lazer com uma dimensão social. Toda essa formação de uma rede social acaba por ajudar (…) a vender mais (…) através de canais tradicionais.

A premência da comunicação via redes sociais conectadas se faz ainda mais necessária se considerarmos que o público alvo do filme é justamente a Geração Net que preza, segundo Tapscott & Williams, rapidez, liberdade, abertura, inovação, mobilidade, autenticidade e ludicidade.

O ideal seria criar um ambiente tão envolvente que os internautas não precisassem sair dele para trocar informações ou produzir conteúdos. Assim o próprio sistema poderia se enriquecer com o que fosse produzido nele. Um exemplo, é o da rede BBC: as pessoas lêem, pesquisam, trocam, comentam notícias em um mesmo ambiente, sem o uso de programas externos, como Orkut, Facebook, Flicker ou Youtube.

Não é o caso de permitir que a participação do usuário altere o filme As melhores coisas do mundo ou interfira em sua qualidade de obra autoral editada e difundida como um produto. Mas a intervenção dos internautas é de suma importância para caracterizar um diálogo permantente e construtivo entre a equipe do filme e o público, expandindo o conteúdo e agregando percepções. Essa participação é definida por Tapscott & Williams como crowdsourcing: modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos de voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver novas tecnologias.

Essa colaboração em massa, também chamada de peering, pode ter diversos motivos. Pode se dar por diversão, altruísmo, ou busca direta de uma solução para um problema que interessa pessoalmente ao colaborador. Independentemente disso, a lógica de produção de conteúdo muda, não se aplica mais a hierarquia de comando e controle, típica das empresas da Era Moderna. Alguns colaboradores têm mais autoridade e influência que outros , mas o igualitarismo é a regra.

Nesse contexto, os moderadores passam a exercer um papel fundamental de filtrar contribuições construtivas das destrutivas. Um post por exempolo pode acrescentar ou contextualizar mas também pode ser usado apenas para ofender ou provocar os participantes das mídias sociais conectadas, esses são usuários, denominados mulas pelo jargão da Internet, precisam ser coibidos ou banidos para a manutenção do ambiente de troca saudável entre os demais participantes.

Outra fragilidade do mercado cinematográfico nas redes é a ausência de agregadores sobre críticas aos diversos filmes lançados. As resenhas são hoje distribuídas em diversos sites especializados, como o IMDB, sites de notícia, como o da Vejinha e em blogs de cinéfilos, uma pesquisa no google com o nome de um filme demonstra isso (vide anexo). Os sistemas agregadores selecionariam e compartilhariam o conteúdo produzido sobre cinema, automaticamente mostrariam em uma escala quais são as páginas mais acessadas, compartilhadas ou adotadas como favoridas e que portanto correspondessem ao conteúdo mais importante sobre cinema num determinado momento.

Mesmo que não seja conseguido o ambiente ideal (colaborativo, independente de outros softwares, livre de mulas) é mais vantajoso centralizar a produção de conteúdo sobre As melhores coisas do mundo nos sites, perfis e comunidades que são oficiais e isso se consegue com uma atuação pensada para animar as redes. Atualmente o conteúdo sobre As melhores coisas do mundo se encontra disperso. O próprio trailler final do filme aparece no Youtube em perfil não referenciado no site oficial do filme, mas no perfil da Warner.

Sendo assim, o filme As melhores coisas do mundo avança em relação ao desenvolvimento de uma nova linguagem comunicacional, mais adequada ao ambiente virtual e ao novo contexto de abundância de informação, mas de excassez de tempo e hiperconectividade. Contudo, os avanços poderiam ser maiores se houvesse netweaving, moderação ativa, estruturação de uma política colaborativa, independência de softwares exógenos e agregadores.

ANEXOS

Site oficial

Perfis referenciados no site oficial

Alguns perfis não referenciados no site oficial

Referências bibliográficas gerais:
BEY, Hakim. The Temporary Autonomous Zone, Ontological Anarchy, Poetic Terrorism. Disponível em: . Acesso em 19 nov. 2010
ELLISON, Nicole B; BOYD, Danahm. Social Network Sites: Definition, History, and Scholarship.Disponível em: http://www.blogger.com/Michigan%20State%20University%20http://jcmc.indiana.edu/vol13/issue1/boyd.ellison.html . Acesso em 28 de agosto de 2010.
FRANCO, Augusto de. O Para fazer Netweaving. 2008. Disponível em: http://escoladeredes.ning.com/profiles/blog/show?id=2384710:BlogPost:30853&xgs=1 . Acesso em 2 de setembro de 2010.
FRANCO, Augusto de. O poder nas redes sociais. 2009. Disponível em: http://escoladeredes.ning.com/profiles/blog/show?id=2384710:BlogPost:30853&xgs=1 . Acesso em 2 de setembro de 2010.
LIMA JUNIOR, Walter Teixeira. Mídias sociais conectadas e jornalismo participativo. In: MARQUES, Ângela et al. Esfera pública, redes e jornalismo. Rio de Janeiro: E-papers, 2009.
LOVINK, Geert. O Princípio de Inconexão. 2006. Disponível em: http://blogs.metareciclagem.org/novaes/o-principio-de-inconexao/ . Acesso em 9 de setembro de 2010.
MANOVICH, Lev. Software takes command. 2008. Disponível em http://softwarestudies.com/softbook/manovich_softbook_11_20_2008.pdf . Acesso em 28 de agosto de 2010.
PARK, Han Woo; THELWALL, Mike. Rede de hyperlinks: estudo da estrutura social na Internet. In: O tempo das redes. São Paulo: Perspectiva, 2008 (p 171 – 216)
PEARSON, Kim. How Computational Thinking is Changing Journalism & What’s Next. 2009. Disponível em http://www.poynter.org/column.asp?id=31&aid=164084 . . Acesso em 28 de agosto de 2010.
TAPSCOTT, Don; WILLIAMS, Antony D. Wikinomics: como a colaboração em massa pode mudar o seu negócio. Rio de Janeiro-RJ: Nova Fronteira, 2007.
TOMASELO, Michael; DWECK, Carol; SILK, Joan; SKYRMS, Brian; SPELKE, Elizabeth. Origins of Human Communication: Cambridge: The MIT Press, 2009.
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WINKIN, Yves. A nova comunicação: da teoria ao trabalho de campo. Campinas-SP: Papirus, 1998.

Referências bibliográficas sobre o filme:
BODANSKY, Laís et al. Projeto Educativo As melhores coisas do mundo. Disponível em: . Acesso em: 20 jul. 2010.
INTERNET MOVIES DATABASE. Biography for Laís Bodanzky. Disponivel em: . Acesso em: 15 ago 2010.
MULHERES NO CINEMA BRASILEIRO. Laís Bodansky. Disponivel em: . Acesso em: 10 ago 2010.
TELA BRASIL. Disponível em: . Acesso em: 11 ago 2010.

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