Estéticas e poéticas do SWU

Apresentação na Cásper Líbero, 24/11/11, às 9h.

Por Danielle Denny

Material de apoio, com filmes e fotos.

 CONCLUSÃO: SWU É ECOLOGIA ²

Ecologia da comunicação (Romano), cujo objetivo a integração entre o humano e o meio ambiente. E este ambiente não é apenas físico, mas também imaterial, uma vez que, na sociedade atual, a nossa existência virtual é particularmente importante.

Ecologia ambiental, pois a finalidade última de todos os fluxos comunicacionais é fomentar a sustentabilidade.

A contemporanidade se assemelha a uma Fita de Möbius

Por Danielle Denny
Como em uma Fita de Möbius, em nosso dia a dia, altamentemediatizado, é difícil determinar o que está dentro e o que está fora do real .O que permite a interface são as conectividades, o incessante ir e vir entreimagens e realidade. Nesse contexto, o conceito de imagem complexa, de Josep M.Català, é essencial para se entender os ecossistemas comunicacionais, inclusiveos possibilitados pela Internet.
A Escola de Desenho Industrial de Ulm, berço doexpressionismo geométrico, com o uso do conceito matemático de topologia, crioua Fita de Möbius, completamente fora da geometria euclidiana tridimensional. Afigura em si é relativamente fácil de ser produzida, basta uma fita de cetimtorcida uma vez e unida pelas duas pontas. Curiosamente, no entanto, ao passarmoso dedo pela fita iremos do lado áspero ao liso ininterruptamente. Assim, umasimples fita de cetim acaba com o conceito de dicotomia, fora ou dentro, ásperoou liso. Nela o lado de fora também é o lado de dentro e o lado áspero também éo lado liso. Essa complexidade matemática é fundamental para que computadorespossam processar a quantidade de dados que fazem hoje.
Essa complexidade não é prerrogativa da Internet ou doscomputadores. Ela é aplicável a várias formas de expressão cultural.Também nasnarrativas cinematográficas, por exemplo. Filmes de ficção sempre contém algode realidade da mesma forma que sempre há procedimentos artisticos no estilodocumental.  Principalmente três tipos: fotomotagem(como no Surrealismo), uso da forma ensaio (como utilizada por Montaigne –primeiro ensaista que fez uso desse estilo deliberadamente), e giro subjetivo.
Tanto o cinema  como aliteratura do sec XX e XXI são notórios pelos giros subjetivos. O Eu e asexperiências pessoais do autor estão sempre em evidência. O que resulta nacolocação da visão pessoal do autor na obra. Isso acontece também nosdocumentários, apesar da proposta de isenção e objetividade.
A fotomontagem foi a primeira intuição estética defragmentação da realidade. Os artistas surrealistas passaram a fazer issodeliberadamente, com significado de deixar fluir a sujetividade, osubconsiciente (atitude inspirada na obra de Freud). Mas depois dasubjetividade produzir os fragmentos de idéias, uma racionalidade tem de entrarem cena para processar o conjunto. Assim, temos de pensar com esses fragmentosuma nova realidade.
Cine ensaio produz os ensaios da literatura com as imagens.Imagens são interface, meio, técnica. Segundo Josep M. Català, nesse estilo “nohay una finalidad, hay um pensamento”, os ensaios não se encaixam em tiposliterários formais, “el ensayista cria su propria realidad, es antimetodologico”.É como a imagem interface, com a qual a pessoa interage e altera assim arealidade. Diferentemente de um filme histórico no qual o documentarista vaibuscar imagens, ilustraçoes, referenciais, para ilustrar seu discurso, no cineensaio as imagens não são referenciais, são manifestações do inconsciente.
Um exemplo de filme ensaio, trazido pelo pesquisador é “Laespigadora y los espigadores”, de Agnes Varda, 2000, que explora a relaçãoentre sujeito e objeto. Agnes Varda, tentando pegar os caminhoes com sua mão decinegrafista, rompe o espelho da perspectiva renascentista. A mão passa a fazera interface, fazer o contato entre a realidade de fora e de dentro do filme.Passa a ser, para o mesmo professor “Prolongación de la mirada, no mas estan enperspectiva.”
A realidade hoje está duplicada porque todos têm máquinasfotográficas e filmadoras nos celulares, mas essa segunda realidade não éigual, abre novas possibildiade. Há tipos de interatividade que não pressupoemo tipo de interatividade dos computadores. Podem ser como o uso de um quadro deLeonardo da Vinci em uma instalação ou em um desenho animado como o dos Simpsons,abrindo, assim, o quadro fechado de Leonardo da Vinci.
Cliff Evans, em “Citzen: the wolf and the Nany (2009)”, utilizaos trípticos pré renascimento. O Renascimento quis aplicar a “unidad de lamirada aristotélica”, fazendo a imagem “una ventana al mundo” (expressões deCatalà). Já os pintores medievais, representavam vários tempos e váriosmomentos e vários personagens no mesmo quadro. Cliff da mesma forma usa elementosde colagem, recolhe fragmentos e os conecta, para “descomponer el espacio deconfiguración con el movimento” (ainda Català), prolonga assim as imagens demodo fluido.
A visão do tempo na nova realidade fluida permite aarticulação no mesmo plano de intuições artisticas e científicas. Tendemos aprojetar uma narrativa sobre tudo. Mas constantemente estão nos desmetindo essaexpectativa. Significado nao está sempre presente mas tambem nao desaparecetodo. A coerência é desmentida pela imagem mas não de todo, pela interface,pela dialetica. O distanciamento do espectador e o impulso do movimento são os articuladoresdas imagens (semelhante ao que acontecia no Barroco). Também há uma articulaçãodo espaço em um tempo que é fluido. Vivimos uma época de visualização do tempo,nao apenas o vivenciamos de forma existencialista.
Em The invisible shape of things past. o tempo é claramente colocado como objeto que pode ser explorado. Realidadeaumentada pela inclusão de elementos de outra realidade. Graças a novastecnologias e tambem a uma nova concepção de tempo e espaço. Fluidez da formaque acaba se solidificando (como intuiram as obras de Salvador Dali ou deFrancis Bacon.
O tipo de representação estável, permanente, foi rompido. Afrase do Manifesto Comunista, de Marx e Engels: “Tudo o que era sólido sedesmancha no ar” se converteu em realidade. Sistemas excluentes, como se forbranco não pode ser preto, estão em desuso, pois hoje pode ser os dois, brancoe preto, a complexidade pode, e deve, pensar criticamente isso, sem adotar uma críticaexcludente. O modelo é a Fita de Möbius.
Danielle Denny participou, a convite do Grupo de PesquisaComunicação e Cultura Visual, do Mestrado em Comunicação da Faculdade CásperLíbero e da Faculdade Cásper Líbero, doSeminário: “Imagem complexa: representação visual e conhecimento”, ministradopelo Prof. Josep M. Català, naFaculdade Cásper Líbero, em 1º e 3 de novembro de 2011.